Endometriose: diagnóstico precoce é essencial para tratamento eficaz
- Magaiver Dias
- há 4 dias
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O mês de março é dedicado à conscientização sobre a endometriose, uma condição silenciosa e dolorosa que pode impactar significativamente a saúde feminina se não for diagnosticada e tratada a tempo. Caracterizada pelo crescimento anômalo do tecido endometrial fora do útero, a doença pode causar dores intensas e dificuldades para engravidar. Estima-se que uma em cada dez mulheres sofra com o problema, muitas vezes sem saber da sua existência.
Sintomas e diagnóstico
Entre os principais sintomas estão cólicas menstruais severas e progressivas, dor pélvica crônica, desconforto durante as relações sexuais e dificuldades para engravidar. Segundo o Ministério da Saúde, em 2021, mais de 26,4 mil atendimentos relacionados à endometriose foram realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), além de 8 mil internações.

O diagnóstico começa com uma consulta ginecológica, sendo o exame de toque essencial para casos de endometriose profunda. Exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, podem complementar a avaliação médica. No entanto, especialistas alertam que um diagnóstico preciso pode levar anos, já que a doença muitas vezes é subestimada, tanto pelos pacientes quanto por profissionais de saúde.
Tratamento e impactos na vida da mulher
O tratamento varia conforme a gravidade do caso e a idade da paciente. Unidades básicas de saúde (UBS) oferecem consultas e exames para evitar a progressão da doença, encaminhando pacientes para cirurgia em casos mais avançados. Alternativas terapêuticas incluem medicamentos hormonais, analgésicos e até mudanças no estilo de vida, como adoção de uma dieta anti-inflamatória e a prática de exercícios físicos.
O ginecologista Roberto Carvalhosa, que atua no Hospital da Piedade, no Rio de Janeiro, explica a evolução da doença: “As cólicas começam brandas, mas podem se tornar incapacitantes. Em muitos casos, o diagnóstico só acontece quando a mulher tenta engravidar e descobre que a endometriose comprometeu sua fertilidade”.
A estudante universitária Mônica Vieira, 25 anos, convive com a endometriose desde a adolescência e precisou mudar sua rotina para controlar os sintomas. “Uso tratamentos naturais com substâncias anti-inflamatórias e evito hormônios sintéticos. Cada caso é único e deve ser avaliado individualmente”, relata.
Um desafio para a saúde pública
O tempo médio para o diagnóstico da endometriose varia entre sete e nove anos. Carvalhosa destaca que exames clínicos ainda são a base mais eficiente para a identificação precoce da doença. “A anamnese bem conduzida pode indicar o problema com até 98% de precisão, mas o que vemos hoje é uma tendência a priorizar exames complementares, em detrimento da avaliação clínica detalhada”, critica o especialista.
Além do impacto físico, a endometriose pode afetar a saúde mental e a vida profissional das pacientes. “É uma doença benigna, mas extremamente debilitante. Muitas mulheres perdem qualidade de vida e enfrentam dificuldades para manter suas atividades diárias”, alerta Carvalhosa.
A conscientização sobre a endometriose é fundamental para reduzir o tempo de diagnóstico e ampliar o acesso a tratamentos adequados. O acompanhamento médico regular e a valorização dos sintomas são passos essenciais para garantir a saúde e o bem-estar das mulheres.
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